Ela não me sai da cabeça
Narrativa coletiva 7º ano
Talvez não seja muito dignificante para mim vir para as páginas
deste diário dizer que a amo. É um amor claro e bom. Não consigo evitá-lo.
Devia ter coragem, mas não tenho. Olha! Azar! Não se pode ter tudo!
Tenho medo, porque não sei se tenho chances. É linda! Ainda
não sei se é inteligente, mas é radiante como o sol e tem olhos de mar brando. Se vocês leitores a
vissem… Não tenho palavras, têm mesmo que a ver…
Talvez por a ter visto num dia de primavera tivesse ficado
tão enfeitiçado. Estava sentada na esplanada do jardim, bem vestida, confiante
e tão bonita… Lembro-me dos brincos de ouro que usava e o anel de prata que lhe
enfeitava a mão direita. Foi nesse dia, foi nessa hora, que eu aprendi o
significado da timidez. Uf! Não aguento este coração pesado. Para já, não vou
falar sobre isto a ninguém, nem ao Pedro. Amanhã volto ao jardim onde a vi.
7ºD, Profª Maria Adelina Gonçalves
30 de março
Afinal, hoje não fui ao jardim. Tinha medo de não a
encontrar.
6 de abril
Nestes últimos dias, não escrevi nada porque não se passou
nada de especial.O Pedro tem perguntado o que se passa comigo. Não tenho
respostas, nem para mim.
Ela não me sai da cabeça.
8 de abril
Alguma coisa vou ter de fazer. Eu não sou assim!!
10 de abril
Boas notícias e más notícias!
Hoje vi-a, de longe, na mesma esplanada. À última da hora
faltou-me a coragem. O que é que passa comigo?
11 de abril
Voltei lá. Para não me acobardar outra vez, aproximei-me.
Estava nervoso, só me lembrei de lhe perguntar as horas. Acreditam? Imaginam os
leitores cena mais vergonhosa? Os olhos
dela fitaram-me e um sorriso enfeitou-lhe a cara morena, linda!
Convidou-me para sentar. Afinal ela anda na mesma escola que
eu. Como foi possível eu nunca ter reparado nela? Há muitas coisas que ainda
não sei, ela despediu-se rapidamente depois de receber uma mensagem, “até
amanhã” disse ela.
12 de abril
Hoje, quando cheguei à esplanada, ela estava sentada na mesma
cadeira. No jardim, não sei o que é que me deu, colhi uma rosa meio aberta e
escondi-a atrás das costas, (onde é que eu já vi isto?) . Avancei a pensar que
devia voltar para trás, mas não, já que tinha ido até ali, não iria recuar.
Disse-lhe “olá”, ela disse “olá, amor!”. Fiquei sem reação, mas acordei muito
depressinha quando ela se levantou para cumprimentar o tipo que apareceu logo
atrás de mim. Literalmente fiquei com o coração partido, com uma grande cara de
parvo a vê-los beijarem-se.
Voltei para casa destroçado, mas não derrotado. É hoje que
vou telefonar ao Pedro. Preciso de informações sobre aquela relação.
7º C, profª Maria Adelina Gonçalves
13 de abril
Ontem, peguei no telefone e liguei para o Pedro, mas, a
vergonha era tanta, que só tive coragem para lhe perguntar quais eram os
trabalhos de casa. Quase não dormi durante a noite toda, a pensar no tipo que
namorava com a rapariga dos meus sonhos.
14 de abril
Graças ao Pedro, consegui descobrir que o namorado dela se
chama Jaime e que é um jogador de futebol. Só com estas informações... senti-me
como se fosse nada e que não fazia falta para ninguém...
15 de abril
Mais um dia de tédio... abraços para um lado, beijinhos para
o outro... nunca se cansam...
16 de abril
Esta situação está a deixar-me de rastos, mas... desistir?
Nunca! Eis a minha estratégia: vou criar raízes à porta da escola, ficarei à
espera dela, desesperadamente!
17 de abril
Não a vi passar na escola, então voltei ao parque. Lá estava
ela na tal esplanada, na tal cadeira. Aproximei-me e perguntei-lhe o que já
devia saber desde o início, o seu nome. Ela chama-se Diana. Até o nome é
perfeito!... Logo de seguida, ela perguntou-me como me chamava e eu,
rapidamente, respondi “Afonso”. Não pudemos falar mais, pois o seu namorado
apareceu... Quando me vinha embora, apercebi-me de algo muito agradável para
mim: eles estavam chateados e a discutir! Talvez até acabassem... Podia ser o
meu momento de glória!
7º F, profª Fernanda Fernandes
20 de abril
Finalmente boas notícias. Passaram três dias e lá na escola
não se fala de outra coisa senão na discussão a que todos assistiram entre a
Diana e o Jaime. Parece que o tipo a andava a enganar. Vou-me manter no meu
cantinho, por enquanto.
28 de abril
Hoje acordei muito confiante. No intervalo das aulas, fiz de
propósito para encontrar a Diana. Ainda está
muito triste, como se aquele parvo merecesse. Mal me viu, os olhos
encheram-se de lágrimas e desatou a correr.
15 de maio
Há dias que não escrevo, mas hoje foi diferente porque vi a
rapariga dos meus sonhos mais alegre. Consegui arrancar-lhe um sorriso quando
lhe entreguei a rosa que tinha colhido para lhe oferecer. Fiquei corado quando
ela se despediu de mim com um beijo na cara, ao fim da tarde, depois de um
passeio no parque. Pareceu-me que estava a viver um sonho.
16 de maio
Mais um dia feliz. Ela aceitou ir ao cinema no sábado. Não
estive atento nas aulas. Ainda não tenho
a certeza se consigo pedi-la em namoro.
22 de maio
Quando fui ao parque hoje, para me encontrar com a Diana, ela
estava com uma amiga. Eu fiz uma coisa feia, escondi-me perto da esplanada,
atrás de um arbusto. Ouvi-a dizer com todas as letras que o seu namoro com o
Jaime tinha sido uma parvoíce porque já sabia que ele era um traidor. E disse
mais, disse que estava a sentir alguma coisa pelo “Afonso” que ainda não
conseguia explicar, mas que havia de descobrir.
Quase fiquei com receio de aparecer. Fui dar mais uma volta e
quando voltei já ela estava sozinha. Não demoramos a conversa porque a Diana
tinha combinado ir ao cinema com as amigas. Vai-me custar dormir, com esta
dúvida. Será o início ou o fim de tudo quanto eu quero?
23 de maio
Não posso deixar passar muito tempo, não posso dar
oportunidade a que outra pessoa se aproxime da Diana. Por sugestão do Pedro,
vou-lhe confessar o que sinto por ela e pedi-la em namoro através de um e-mail.
7º B, profª Gabriela Cordeiro
24 de maio
Ontem, não tive coragem de lhe enviar o e-mail. Escrevi-o, li
e reli vezes sem conta, mas acabei por apagá-lo e resolvi falar pessoalmente
com a Diana, olhos nos olhos. Estou mesmo caidinho!E se ela me disser que não
sente assim nada de especial? E se levo uma tampa?
25 de maio
Este foi o grande dia! Até estou orgulhoso de mim apesar
de na altura me sentir todo a tremer. Declarei-me,
disse à rapariga dos meus sonhos tudo o
que sinto por ela! Mas não vos vou contar tudo. Apetece-me gozar o momento!
26 de maio
Estava tudo a correr tão bem… Quando confessei à Diana o meu
amor, ela nem precisou de falar porque os seus olhos deram-me a resposta e o
beijo que trocamos deixou-me ainda mais apaixonado. Mas hoje, depois do cinema
e quando a fui levar a casa, ela disse-me que tem estado a enviar umas cartas
para escolas de dança no estrangeiro e que tem esperança que uma delas a aceite
depois dela acabar o ensino secundário. A dança é o segundo amor da sua vida.
Alguma coisa de me diz que vem por aí complicação.Vou ter de esperar, logo se
vê, não vou pensar muito no assunto.
7º E, profª Mª Adelina Gonçalves
28 de maio
Ela anda cada vez mais entusiasmada com a possível ideia de
ser escolhida para alguma escola de dança. Até fico destroçado só de pensar que
a posso “perder”… Tento disfarçar tudo com um sorriso, mas está a tornar-se
impossível… Não sei por quanto mais tempo vou aguentar isto…
13 de setembro
Aconteceu… Tudo o que eu receava ouvir… Tudo o que eu pensei
nunca ter de fazer… Ela foi escolhida para uma academia de dança em Londres…
Tivemos de acabar… uma relação à distância nem sempre corre bem… Acho que foi a
decisão correta.
Sinto-me arrasado, como se uma tonelada de elefantes me
tivesse passado por cima…
28 de julho
Passaram-se dois anos desde que ela partiu… Nunca a esqueci…
Todos os momentos, todos os beijos e abraços… o seu cheiro suave… Ainda não
esqueci nada. Estou a caminho de Londres. Quero recomeçar a minha história com
ela! Aliás, acho que nunca a acabei… só espero que ela não me tenha esquecido!
16 de agosto
Eu consegui! Sinto-me o homem mais feliz do mundo!
Recomeçamos a nossa história. Pedi-a em casamento e ela aceitou!
Parecemos uns tontos apaixonados, mas uns tontos felizes…
Espero continuar a minha história com ela até ao fim dos
nossos dias… Poder estar à beira da lareira com ela a contar histórias aos
nossos netos…
Se isso não acontecer, como eu diria há anos atrás, “Olha!
Azar! Não se pode ter tudo!”
7ºA, profª Gabriela Cordeiro
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